quarta-feira, 16 de maio de 2018

O Que Você Faria Se Sua Vaca Caísse do Penhasco?

vaca penhasco precipício mestreUma pergunta corriqueira quando duas pessoas estão se conhecendo é aquela velha “o que você faz da vida?” e a resposta geralmente é bem simples e curta: “sou programador”, “sou vendedor”, “sou analista de recursos humanos”, “sou contador”, “sou advogado”, “sou dentista”, “sou médico”, “sou engenheiro”, etc.

E nós usamos a palavra “sou” porque de fato é aquilo que somos: se um cidadão passou 4 anos na faculdade de direito, ralou para ser aprovado na OAB, tem experiência de trabalho apenas em escritórios de advocacia, como ele poderia ser algo se não advogado?

Feita essa introdução, vou trazer, rapidamente, a historinha da vaca no penhasco. Acredito que seja uma história bem conhecida, mas se você ainda não conhece, vale a leitura e reflexão.

vaca penhasco precipício mestre

"Mestre e discípulo andavam pela estrada. O caminho era inóspito, agressivo. Muitas pedras e montanhas escarpadas de muito pouca vegetação. Avistaram, ao longe, uma casinha de aspecto pobre e humilde, e para lá se dirigiram.

Foram recebidos, hospitaleiramente, pelo dono da casa e sua numerosa família. Foram abrigados, e os residentes, com eles, compartilharam sua escassa comida e seu espaço para dormir. Interrogado pelo mestre, o dono da casa disse que a alimentação provinha de uma única fonte: uma única vaca da qual tiravam leite e seus subprodutos. O excedente era usado para efetuar trocas no povoado mais próximo.

Mestre e discípulo ficaram ali mais alguns dias, e depois partiram. Algumas horas depois da partida, o mestre disse ao discípulo:

- Volte lá, às escondidas, e jogue a vaca no penhasco.

Estupefato, o discípulo argumentou:

- Mestre, como podes me pedir isto? Então não percebes a pobreza de tão numerosa família, e que seu único sustento é a vaca? E, mesmo assim, pedes-me para jogá-la no penhasco?

- Sim - disse o mestre. Jogue a vaca no penhasco.

Desorientado, o discípulo decidiu atender o mestre, no entanto, não conseguia fazê-lo, sem sentir uma enorme culpa. Mesmo assim, o fez pelo mestre.

Alguns anos depois, passavam novamente pelas proximidades, o mestre e o discípulo. Sem nada dizer ao mestre, o discípulo decidiu que pediria perdão por ter jogado a vaca do penhasco. Assim, dirigiu-se até lá. Mas, quando chegou, não mais encontrou a pobre casinha em seu lugar. Havia uma construção nova e confortável. As pessoas que avistou eram limpas e bem vestidas, o ambiente era de trabalho, e o progresso era evidente. Foi, então, até uma das pessoas e perguntou:

- Há uns dois ou três anos, aqui havia uma pequena e pobre casinha. Saberia me dizer para onde foram aquelas pessoas?

- Somos nós - respondeu o homem.

- Não, refiro-me àquelas pessoas pobres que aqui viviam.

- Somos nós - respondeu ele, novamente.

- Mas, o que aconteceu? - disse, olhando o progresso a sua volta.

- Bem , ocorreu uma tragédia conosco. Nossa vaquinha leiteira, única fonte de sustento da família, se soltou do pasto e caiu no precipício. Entramos em aflição e não tivemos outra alternativa a não ser buscar outras formas de nos manter. Assim, aprendemos a plantar e cultivar diversas frutas e hortaliças, começamos a fazer produtos próprios e comercializá-los lá na cidade. Como resultado, temos hoje uma bonita e confortável casa"

E QUAL A MORAL DA HISTÓRIA?



Na maioria das vezes estamos tão preocupados em ser grandes advogados, arquitetos, engenheiros que esquecemos de nos questionar o que mais nós "somos"...

Será que esse caminho profissional que adotamos, muitas vezes iniciado aos 17 ou 18 anos quando escolhemos um curso universitário ou mesmo quando logramos aprovação em um concurso público, é o que nos dará mais retorno financeiro e pessoal ao longo da vida ou seria interessante atirar essa vaca no precipício?

Você já parou pra pensar se sabe fazer outra coisa além do que você faz habitualmente e se seria bem remunerado por isso? Se sim, compartilha ai nos comentários!

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Aniversário de 1 Ano do Blog "Ministro do Investimento"

 
Sim meus amigos, há exatamente um ano eu começava a minha jornada na blogosfera. Para ser mais preciso, meu primeiro post foi no dia 2 de maio de 2017, e de lá pra cá posso dizer que evolui muito no que tange a investimentos e mindset financeiro.

A verdade é que ninguém começa a investir do nada, sempre existe a influência de alguém, seja um parente, seja um livro, ou mesmo um youtuber. No meu caso, os influenciadores foram os diversos blogs aqui da blogosfera, que embora amadores na pretensão de rentabilizar o conteúdo, são extremamente profissionais quando se trata do conteúdo propriamente dito. Então agradeço a todos que estão compartilhando seus conhecimentos em seus respectivos blogs e a todos que engrandecem os debates comentando aqui no blog, mesmo que anonimamente.

Se você não conhece a blogosfera de finanças, dá uma olhadinha aqui ao lado na lista de "Blogs Parceiros", só gente de qualidade!

Para se ter ideia de como evolui, vamos dar uma olhadinha na carteira do meu primeiro fechamento patrimonial, referente à abril de 2017:


Nessa oportunidade, eu relatei que a partir de 2016 eu adquiri uma consciência financeira maior de poupar mais e evitar comportamentos consumistas, o que fez meu patrimônio aumentar em 30% naquele ano, mesmo "investindo" só em poupança. Também comentei que gostaria de, a princípio, manter esse crescimento de 30% por ano do patrimônio. Bom, vamos ver então como ficou meu patrimônio um ano depois:


O aumento absoluto foi de R$ 52.471,70 e em termos percentuais de 27,7%. Não atingi a marca dos 30% mas chegou muito perto disso. Porém é notável a maior diversificação do patrimônio, com ativos financeiros bem mais rentáveis que a poupança.

Eu também havia estabelecido o objetivo de ter a seguinte alocação de ativos (ex-imóvel): 50% em Renda Fixa, 30% em Fundos Imobiliários, 20% em Ações. Bom, esse é um objetivo que ainda estou um tanto longe de alcançar, estou, hoje, com a seguinte alocação: Renda Fixa (70%), Ações (15%) e FII (15%). Não tenho pressa para cumprir esse objetivo, uma eventual correção mais violenta do mercado pode dar a oportunidade para aumentar no curto prazo a alocação em renda variável. Por enquanto, sigo aportando só em ações e FII, aumentando aos poucos a proporção desse tipo de investimento na carteira.

Lá no meu primeiro fechamento patrimonial eu também delimitei uma meta de rentabilidade de 0,7% ao mês, que, à época, considerei conservadora mas dada a nova realidade de juros e inflação no Brasil, diria que é uma rentabilidade bem aceitável. Essa meta eu cumpri à risca, minha rentabilidade média mensal nos últimos 12 meses, de maio/2017 a abril/2018, foi exatamente 0,7% a.m, conforme abaixo:


Rentabilidade anual de 8,33%

Em relação ao blog, em um ano, foram publicados 57 artigos, média de 4,7 por mês, um número aceitável, mas eu espero escrever mais, quem sabe aumentar essa média para uns 6 ou 7 por mês, claro, tentando não ficar repetitivo ou esgotar a capacidade criativa. Aliás, essa é uma coisa muito interessante de escrever um blog, estamos sempre expandindo nossa capacidade criativa.

Nesse um ano o blog teve cerca de 35.600 visualizações, média de mais ou menos 3.000 por mês, número muito interessante, mas o que acho mais interessante é a participações do pessoal nos comentários, sempre trazendo opiniões construtivas. Outro fato extremamente interessante é que após 1 ano, o Google assumiu a dianteira como a principal fonte de tráfego para o blog.

Então é isso, só para deixar registrado mesmo o primeiro aniversário do blog e o meu agradecimento a todos que nos leem.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Atualização Patrimonial Abril/2018: R$ 241.534,29 (+R$ 3.182,81) e Rentabilidade (-0,75%)



Mais um fechamento mensal, e esse é um fechamento especial, pois completa-se 1 ano de atualizações patrimoniais aqui no blog. Por enquanto não vou fazer nenhum retrospecto, vou deixar isso para um post  específico que estou preparando, mas sem dúvidas foi uma evolução muito interessante nesse um ano de blog, evolução tanto material como psicológica.

Esse mês consegui completar e superar toda minha meta de renda extra, que era de R$ 1.500,00 no ano. Consegui isso basicamente por meio da venda de milhas (R$ 1.300,00) e venda de objetos usados (R$ 400,00) na OLX. Aliás, é muito interessante esse lance de vender coisas usadas, pois quando paramos para pensar no que não estamos mais usando e que poderia ser vendido, descobrimos uma quantidade enorme de objetos que estão só entulhando dentro de casa e que poderiam liberar espaço gerando renda.

CARTEIRA FINANCEIRA

Aporte do mês: R$ 4.530,00

Esse mês retive em caixa, ou seja deixei de aportar, pouco mais de R$ 1.500,00 pois estou revendo minha metodologia de investimento em renda variável. Em breve falarei mais sobre isso. Esse valor não irá constar dessa atualização pois, ao contrário dos fechamentos anteriores, não irei mais contabilizar aqui no blog recursos em caixa, mesmo que seja na corretora.

Compras do Mês

25 ações MDIA3, 100 ações KROT3, 15 cotas GGRC11.

Aproveitei a queda de preços da MDIA3 e comprei 25 ações para fechar o lote de 100. Depois que eu comprei a ação caiu mais ainda, mas paciência, a empresa é muito boa e acredito que vai superar a má fase trazida pelas recentes operações policiais (se você está por fora do assunto, leia aqui sobre a recente queda da MDIA3)

Comprei um lote de ações da Kroton alguns dias antes de ela adquirir a Somos Educação, iniciando sua jornada no ensino básico. Aqui acho que foi uma jogada arriscada. O setor de ensino é muito pulverizado e a concorrência é muito grande, mas a Kroton vem apresentando números fantásticos nos últimos anos e mostrou muita resiliência frente à queda de alunos FIES. É uma companhia que tem uma sede enorme por aquisições, que pode tanto alavancar o seu crescimento como botar tudo a perder com algumas aquisições erradas, ou "piorizações" como chama Peter Lynch. De qualquer forma, eu acredito que é uma companhia que pode sim ainda crescer bastante.

Pra finalizar, comprei 15 cotas de GGRC11, é um fundo imobiliário novo, que iniciou sua negociação em maio de 2017, mas que tem se mostrado um ativo com bom potencial de retorno e crescimento, com uma boa e diversificada carteira imóveis, todos com contratos atípicos, embora também tenha riscos associados. Em breve farei uma postagem sobre ele. Vamos então à carteira...





Carteira




A rentabilidade foi a seguinte:





Pelo segundo mês consecutivo minha carteira fechou no vermelho impactada, principalmente, pelas minhas ações, que só nos últimos dois meses já caíram mais de 10%. Confesso que esses números me deram uma pequena angústia, essa é a primeira queda expressiva na minha carteira de ações e a gente começa a se questionar se está investindo da forma certa. Entretanto esse lampejo de fraqueza logo é superado quando se tem em mente que o objetivo é o longo prazo.

Em relação às criptomoedas, eu praticamente desisti de aportar mais nelas. É um sobe e desce violento e completamente irracional, além disso não há qualquer base para fazer uma análise fundamentalista desse tipo de ativo, por outro lado acredito que seja um ótimo ativo para trades, porém essa não é minha praia.

A carteira de Ações e FIIs fechou o mês assim:




Principais altas do mês: VRTA11 (+0,56%) - Sim, apenas esse papel subiu esse mês, todos os outros caíram ou mantiveram o preço.

Principais baixas do mês: MDIA3 (-13,74%), CIEL3 (-7,20%) e EGIE3 (-5,54%)

Olhando acima para minha carteira de ações e vendo todos esse números vermelhos inicialmente dá um desânimo, mas analisando friamente estou hoje no prejuízo (virtual) com M. Dias Branco, Engie e Grendene, três companhias com ótimos fundamentos, portanto estou tranquilo. Já quanto à Cielo, não sei muito bem o que pensar dela, os últimos resultados (inclusive o do 1T2018) não foram muito animadores, vou acompanhá-la com mais cuidado. Já tem gente realizando prejuízo com ela, bom, eu prefiro aguardar mais um pouco antes de sair.

Pra fechar, a renda recebida no mês dos FII foi de R$ 139,78, o que me dá um DY de 0,89% a.m considerando o preço médio de aquisição.

Por hoje é só!

Abraços!

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Investir em Ações do Banco Inter: Oportunidade ou Furada?


O ano de 2018 talvez simbolize uma virada (tímida) da economia brasileira, estamos começando a sair do buraco, e crescimento econômico traz consigo uma nova onda de IPOs. Se você não sabe o que é IPO, essa é a sigla, em inglês, para Oferta Pública Inicial de ações, ou seja, é o ato de uma empresa abrir seu capital na bolsa de valores.

Esse ano tivemos ou teremos alguns estreantes bem interessantes na bolsa, e um deles é o nosso querido Banco Inter, o amigo de todo investidor, pois permite que façamos transferências para nossas corretoras sem cobrar taxas por isso. Aliás, essa é uma das principais estratégias do banco, atrair clientes isentando-os da cobrança de taxas de manutenção de conta, TED e cartão de crédito.

O grande diferencial do Banco Inter é o fato de ser um banco digital: todo atendimento, abertura de contas, investimento, contratação de serviço é feito pela internet. Num mercado bancário tão tradicional e concentrado como o nosso, em que apenas alguns bancos dominam a cena e acumulam reclamações e insatisfação de seus clientes, o Banco Inter encontra um cenário ideal para abocanhar uma fatia do mercado.

Não à toa o banco informa que está atualmente com a impressionante marca de, em média, 2.700 contas abertas POR DIA. Isso é muita coisa, é uma taxa impressionante de aquisição e novos clientes. Esse crescimento cresceu exponencialmente em 2017, quando o número de clientes saltou de 80 mil para 379 mil.

Olhando sob essa perspectiva o Banco Inter parece um ótimo prospecto mas vamos refletir um pouco: se a proposta do banco é não cobrar tarifas, como ele faz para ganhar dinheiro?

Obviamente que em uma instituição financeira as tarifas são apenas uma das fontes de receita. Como o Banco Inter não possui todo o custo de manter uma estrutura de agências, é razoável que abra mão de algumas receitas para se diferenciar da concorrência. Dessa forma, outras fontes de receitas podem dar os resultados que o banco espera como a concessão de empréstimos e financiamentos. Vamos então fazer uma Raio-X da carteira de crédito do Banco Inter:

Os principais produtos do banco são crédito imobiliário, crédito pessoal e crédito para empresas na seguinte proporção:


Observa-se que nos últimos 3 anos, o crédito imobiliário foi o grande filão do banco e o principal responsável por seus resultados, representando mais de 50% da carteira de crédito. Isso provavelmente remonta às raízes do banco, que pertence ao mesmo grupo familiar proprietário da MRV Engenharia e que fundou o banco em 2008 justamente para atuar no segmento de operações de crédito imobiliário.

Se o crédito imobiliário é tão relevante no Banco Inter resolvi então simular uma contratação desse tipo de financiamento para verificar se, realmente, o Banco tem algum diferencial nessa área e as características do CredCasa, apelido do financiamento imobiliário do Banco Inter, são as seguintes:


Sinceramente, eu não vi muito diferencial nisso, pelo contrário, achei os juros bem elevados: 0,83% a.m daria uma taxa anual de 10,43% e projetando-se um IPCA de 4%, teríamos uma taxa de juros de mais de 14% ao ano. Isso considerando um IPCA controlado, mas todos sabemos que no Brasil, o IPCA pode subir e descer de forma bem exponencial, gerando mais um risco para o tomador de um empréstimo vinculado ao IPCA, principalmente levando em conta que trata-se de um empréstimo de longuíssimo prazo.

Ai eu me pergunto: se nós temos ai no mercado grandes players trabalhando com taxas de, em média, 9% a.a + TR (que varia muito pouco), por que alguém contrataria um financiamento custando 14% a.a e se sujeitando ao risco de variação do IPCA?

Provavelmente essa carteira de crédito imobiliário do Banco Inter seja fruto da estreita ligação com a MRV Engenharia, pois com essas condições acima, dificilmente o Banco conseguiria ter um diferencial competitivo no mercado.

Portanto eu não investiria no Banco Inter buscando ter em minha carteira um player relevante do mercado imobiliário, na verdade não se trata aqui de investir numa instituição financeira com resultados consolidados, mas sim em uma aposta, uma aposta que o Banco Inter conseguirá mudar o perfil do seu portfólio, aumentando receitas provenientes de outras fontes como seguros, cartões, crédito pessoal e crédito a empresas.

A enorme e impressionante captação de clientes em 2017 mostra que o Banco Inter tem a faca e o queijo na mão para crescer muito, além disso, o Banco declara que pretende destinar os recursos levantados no IPO para incrementar suas operações de crédito, investir em tecnologia, investir em marketing e expandir os negócios por meio de aquisições estratégicas. Portanto aqui o banco já dá uma dica: talvez a diversificação da carteira de crédito se dê por meio de aquisições de outros players.

A verdade é que, no fim das contas, ao investir no Banco Inter se está confiando que o Banco fará o que não fez antes, aquisições estratégicas e diversificação de receitas e da carteira de crédito, pois se for para esperar investir num player do mercado de financiamento imobiliário, não vejo um futuro tão brilhante assim para o Banco.

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 18 de abril de 2018

MFII11: A Caixa-Preta dos Fundos Imobiliários


Vamos conversar um pouco sobre aquele FII que é igual ao Big Brother Brasil, todo mundo fala mal, diz que não presta, mas já está na sua 98372ª edição, e possivelmente dando boa audiência, ou seja, é o FII com mais haters no mercado mas que não para de crescer, é isso mesmo senhores, o papo hoje é sobre Mérito Desenvolvimento Imobiliário, também conhecido como MFII11.

Apesar de eu ter participação nesse FII, vou procurar fazer uma análise isenta, sem tentar justificar meu investimento, mas tão somente comentar a situação do fundo na minha percepção pessoal e, claro, receber a opinião dos leitores. Até porque, se eu entender como mais adequado, basta um clique para eu me desfazer dos meus ativos nesse fundo.

Vamos começar dando uma olhada na "fuça" do gestor do fundo, o Sr. Alexandre Despontin, um jovem pródigo, engenheiro aeronáutico formado no ITA em 2010 e que em 2012 fundou a Mérito Desenvolvimento Imobiliário.

Qualquer semelhança com Harry Potter é mera coincidência

Agora vamos falar do fundo propriamente dito. O MFII11 é um fundo de desenvolvimento imobiliário, ou seja, a atuação dele é semelhante a uma incorporadora/construtora, diferente dos fundos "normais" de aluguéis, ele atua adquirindo terrenos, aprovando projetos e vendendo unidades, portanto tem uma movimentação financeira bem maior e bem menos previsível que os fundos de aluguel. Os riscos desse tipo de FII também são maiores pois o fundo assume todo o risco da incorporação e desenvolvimento do projeto imobiliário. Logicamente que os potenciais ganhos também superam os FII convencionais.

Hoje o fundo tem em sua carteira 15 projetos imobiliários em diferentes fases (veja aqui e aqui), alguns já estão 100% concluídos e vendidos, apenas restando ao fundo receber os valores que foram financiados aos compradores das unidades, outros projetos estão com obras em andamento e outros ainda estão em fase de pré-lançamento, ou seja, ainda na fase de aquisição e regularização do terreno. O ciclo de desenvolvimento imobiliário da Mérito é o seguinte:



O fundo pode entrar em um empreendimento em qualquer uma dessas fases, podendo, inclusive adquirir um empreendimento 100% concluído e vendido, restando apenas administrar os recebíveis dos clientes financiados, como é o caso do projeto Vila Ferrara, recém adquirido em Ubatuba/SP.

Cada um desses projetos é tocado pelo fundo em conjunto com um parceiro, para isso é constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), ou seja, uma empresa específica para tocar a empreitada. Nesse relatório constam alguns detalhes de todos os projetos.


Agora vamos às polêmicas! 

Por se tratar de um fundo de desenvolvimento, com projetos nas mais diversas fases e com fluxos de caixa inconstantes, seria normal esperar uma grande flutuação na distribuição de proventos aos cotistas, até mesmo uma distribuição trimestral ou semestral, dada peculiaridade da atuação do fundo. No entanto, o fundo vem distribuindo religiosamente R$ 1,18 por cota todos os meses, um Dividend Yeld mensal de 0,9% (considerando o valor da cota hoje), se enquadrando no Top 5 dos FII com maior DY na bolsa.

E quando a esmola é demais, o santo desconfia né! O investidor começa então a se perguntar: "Se os projetos estão em fases diferentes e o fluxo de caixa é inconstante, de onde está saindo esse dinheiro para fazer distribuições mensais tão generosas? Qual projeto está contribuindo financeiramente para isso?"

Polêmica nº 1 - Falta de Transparência


A resposta é: não sei e ninguém sabe, simplesmente porque o fundo não divulga essa informação. O fundo não divulga os balanços das SPE's de cada projeto, portanto não é possível saber qual projeto está gerando caixa, qual projeto está queimando caixa, qual projeto vai bem, qual projeto vai mal, qual projeto está endividado, etc.

Também não são divulgados os contratos dessas SPE, onde deve constar, por exemplo, que tipo de acordo o fundo fez com o parceiro, quais as responsabilidades e parcelas de ganho de cada parte no empreendimento, etc.

Em entrevista ao Professor Baroni, da Suno Research, o Sr. Alexandre "Harry" Despontin "Potter" informou que o fundo criou uma holding para gerenciar todas as SPE, que os balanços das SPE estão em processo de auditoria, e que, após isso (previsão para Maio/2018) vão estudar como apresentar os resultados das SPE.


Polêmica nº 2 - Queima de Caixa e Esquema Ponzi (Pirâmide)


Mas afinal, de onde saiu a grana para pagar as generosas distribuições? De acordo com informação confirmada pelo próprio gestor, as atuais distribuições estão sendo feitas às custas de parte dos recursos arrecadados na última emissão de cotas, ou seja, o fundo está pagando proventos não com os resultados das suas operações, mas com parte do dinheiro investido pelos recém ingressos.

(para quem não lembra o MFII fez uma emissão, muito bem sucedida, em que se pagava R$ 110,00 por cota, sendo a cota no valor de R$ 100,00 e os outros R$ 10,00 de taxa. São justamente essas taxas que estão custeando as atuais distribuições)

Estima-se que esses recursos irão acabar em meados de junho ou julho de 2018, e ai vem a questão: após "queimados" os recursos da última emissão, o fundo tem condição de continuar pagando os mesmos rendimentos? Na entrevista que supracitei, o gestor disse que sim, que a Holding já tem resultados suficientes para continuar com as distribuições de proventos, PORÉM, como não há transparência dos resultados das SPE, não é possível saber se essa afirmação é verdadeira.

E ai os mais desconfiados começam a levantar a possibilidade de ser um esquema de pirâmide, em que os pagamentos da renda dos atuais cotistas vão sendo custeados pelos recursos dos novos cotistas (emissões). Eu não acho que seja o caso, mas tem gente que defende isso. Se em junho ou julho o fundo vier com outra emissão sem explicitar os resultados da holding, ai sim a coisa vai ficar feia.

Conclusão

O que se percebe é que o MFII11 não se trata de um fundo imobiliário qualquer, é na verdade um fundo que carrega uma certa complexidade de análise pois se assemelha muito mais a uma construtora/incorporadora e, como tal, está sujeito a muitos riscos inerentes ao processo de construção e venda de imóveis (flutuação de preço dos insumos, falha de premissa no planejamento orçamentário, riscos técnicos e legais, distratos e inadimplência, etc). Além disso, como os investidores em ações já estão cansados de saber, o setor de construção civil é cíclico, de forma que é impossível esperar que esse fundo entregue uma renda perene por muitos e muitos anos.

Por outro lado, como todos devem imaginar, construir e vender um imóvel é muito mais lucrativo do que comprar um imóvel para alugar, e se o fundo for competente em fazer isso, vai gerar retornos extraordinários para seus cotistas.

Portanto o MFII11 é um FII que, se bem gerido, pode ser muito rentável, porém, demanda acompanhamento mais ativo do investidor pois eventual descasamento do fluxo de caixa (causado por n fatores, desde imprevistos nos projetos até desaceleração econômica no país) pode comprometer a saúde financeira do fundo. E, para que o investidor possa fazer esse acompanhamento, é essencial que o Gestor aprimore a transparência dos resultados das SPE, pois do jeito que está hoje, o investidor não tem outra opção senão confiar cegamente na gestão.

Abraços,

Senhor Ministro

contato: mininvestimento@gmail.com

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Enriquecimento e Sensação de Injustiça Com os Pobres


Esses dias estava lendo alguns blogs, especificamente o blog Clube dos Poupadores, que é um blog de finanças não anônimo e mais mainstream, e que, portanto, não tem algumas liberdades que nós aqui dos blogs independentes temos.

Esse blog fez uma postagem sobre "como juntar dinheiro", artigo bem interessante, mas o que chamou a atenção mesmo foi um dos comentários, que embora expresse tão somente a opinião pessoal do comentarista, reflete o pensamento de muita gente e uma certa doutrinação comunista ainda forte no Brasil. Vejamos então o comentário:



Doar dinheiro para reduzir a sensação de injustiça por enriquecer em detrimento dos pobres....

Fazia tempo que eu não lia tanta besteira. Nada contra fazer doações, inclusive a maioria dos grandes capitalistas e bilionários doam muito dinheiro mas a questão aqui é outra...o que me chama a atenção (negativamente, claro) é esse constrangimento e pesar por enriquecer, como se fosse algo errado, como se o enriquecimento de alguém fosse a causa direta da pobreza de uma multidão, uma visão típica comunista.

A verdade é que, independente da corrente filosófica, tem muito brasileiro que nutre o sentimento de que os ricos são pessoas más, que enriquecem às custas de roubalheira, corrupção ou da exploração escravocrata do trabalho alheio. Outros dizem que dinheiro não compra felicidade, que preferem ter tempo ao invés de dinheiro, que a ganância é pecado, que não devemos focar nossa existência na obtenção de bens materiais.

São inúmeras as desculpas que as pessoas arranjam para racionalizar o simples fato de que não são capazes de acumular capital e enriquecer. A realidade é que todo mundo gostaria de ter mais dinheiro, mas poucos estão dispostos a fazer o que é preciso para conseguir isso e ai entoam as desculpinhas que citei no parágrafo anterior.

Todo mundo conhece ou já conheceu um "João Silva" da vida. Abrir os olhos dessas pessoas é tarefa bem complicada na maioria das vezes, mas, no mínimo, devemos usá-los como exemplo de como não lidar com o dinheiro.

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Escândalo: M. Dias Branco Envolvida na Lava Jato. Oportunidade ou Ameaça?


É senhores, se tem uma coisa que a Lava Jato tornou (e ainda está tornando) explícita para o Brasil é a relação promíscua entre iniciativa privada e poder público. Grandes empresários, com grandes histórias de vida, donos de patrimônios bilionários flagrados em relações espúrias com agentes políticos.

As empreiteiras são o caso mais clássico pois sobrevivem de prestação de serviços ao poder público, por isso estão muito mais expostas à corrupção e negociatas diversas. Mas hoje, dia 10/04/2018, a Polícia Federal, no bojo da Operação Tira-Teima, cumpriu mandado de busca e apreensão em Fortaleza, na sede de uma das empresas que eu mais respeito (ou respeitava): M. Dias Branco (MDIA3). A suspeita é que a companhia esteja envolvida em pagamentos de propina para o senador Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, ou seja, a coisa ainda vai esquentar!




Se você não conhece, a M. Dias Branco é a maior fabricante de massas e biscoitos do Brasil e uma das maiores do mundo. É uma companhia com história muito interessante, que começou em 1936 quando o português Manuel Dias Branco inaugurou em Fortaleza a “Padaria Imperial”. A M. Dias Branco já está na sua 3ª geração de sucessão familiar com sucesso.

Ainda não se sabe muitos detalhes sobre essa operação, mas porra, ninguém tá limpo nesse país. Empreiteiras (Odebrecht e cia), indústria farmacêutica (Hyper Pharma), concessionária de rodovias (Ecorodovias), indústria de massas e biscoitos (M Dias Branco), empresas de carne (BR Foods, JBS e cia.),  bancos (Santander, Safra e Itaú), e por ai vai, todos envolvidos em operações policiais relacionadas à corrupção passiva e ativa.

Isso mostra que esse Estado dominante sobre a iniciativa privada não é sustentável, alimenta a corrupção e prejudica a livre concorrência.

Mas voltando a falar da M. Dias Branco...me corrijam se eu estiver errado, mas trata-se de uma das melhores companhias listadas na Bovespa, com resultados excelentes nos últimos anos, crescimento constante e ganhou especial destaque com a recente aquisição da Piraquê, o que irá contribuir para maior penetração nos mercados do Sul/Sudeste. Venha falando dela há tempos, inclusive.

Tudo isso fez com que a cotação de suas ações tenha obtido crescimento significativo nos últimos tempos, principalmente do início de 2016 pra cá. Recentemente a ação chegou a superar os R$ 60,00. Porém com toda essa agitação relacionada a essa operação policial, a MDIA3 fechou o pregão com queda de 4,4% cotada a R$ 47,15. 

A verdade é que a companhia foi lançada no "seleto" rol de envolvidas em escândalos de corrupção, porém seus resultados e fundamentos não mudaram, continuam ótimos. Dito isso, seria essa uma oportunidade para comprar na baixa, apenas observar aguardando mais informações ou se preocupar efetivamente com o futuro das ações e da própria companhia?

Eu sinceramente estou bem propenso a acreditar que se trata de uma boa janela de oportunidade de compra, e você?

Abraços,

Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com



segunda-feira, 9 de abril de 2018

A Bolsa de Valores é Um Campo Minado!

Recentemente estive conversando com dois amigos sobre investimentos. Os dois não se conhecem, inclusive moram em estados diferentes, um é servidor público de alto escalão, o outro é médico, mas tem uma coisa em comum: ambos estão decepcionados com os resultados da renda fixa, dada às quedas constantes da Taxa Selic, e estão avaliando migrar seus investimento para a renda variável. Como em algumas oportunidades eu já havia comentado que investia na bolsa, eles vieram conversar comigo sobre o assunto.

O que eu achei mais curioso é que embora esses dois amigos sejam pessoas muito bem instruídas e com remuneração bem acima do padrão brasileiro, ambos nutrem um sentimento verdadeiro que a bolsa de valores é um verdadeiro campo minado, lugar inóspito, povoado por veteranos de guerra, em que um passo em falso pode levar à explosão de uma mina terrestre.

E se você tivesse que atravessar um campo minado, optaria por fazer isso sozinho, arriscando a sua vida, ou preferiria contratar um militar especializado, com anos de treinamento e experiência de campo, para te ajudar no trajeto? A segunda opção, logicamente!

Não sei se você sacou a analogia, mas os meus amigos acreditam que a bolsa é um lugar perigoso, que investir sozinho não é recomendado, que fazer isso é muito arriscado sendo o prejuízo um destino quase certo. Nesse caso, eles acreditam que a decisão mais sensata é investir em fundos de ações, pois contam com profissionais especializados, que saberão fazer as melhores escolhas.

Por um lado, eu tenho que concordar que, de certa forma, a bolsa brasileira é um grande campo minado. Só para ilustrar, das 410 empresas listadas, 110 (27%) apresentaram prejuízo no último resultado. Sem mencionar as várias outras que embora tenham lucro, não inspiram nenhuma confiança. A verdade é que tem muita tranqueira na Bovespa, o universo de empresas sólidas listadas é muito pequeno, talvez algo em torno de 10% do total seja de empresas que "prestam".


Entretanto, a diferença para um campo minado de verdade, é que na bolsa é muito mais fácil identificar e fugir das bombas. Sinceramente, com um ou dois meses de estudo, lendo os livros certos e lendo os blogs certos, qualquer um é capaz de investir na bolsa com alguma desenvoltura, sem muita firula e sem muita tecnicidade. Lógico que sempre vão aparecer aqueles mais "avançadinhos" falando de valuation, fluxo de caixa descontado, dividendos descontado, modelo de Gordon, alpha, beta, suporte, resistência, média móvel, candle, etc. No fim das contas, o que importa é investir em boas empresas e isso não é lá tão difícil de fazer.

O brasileiro em geral ainda tem muito medo da bolsa e mesmo quando decide superar esse medo, acaba fazendo isso de forma parcial, confiando seu investimento nas mãos de um gestor de fundos, o que nem sempre é a melhor opção, por mais ilógico que isso possa parecer. É como diz Peter Lynch:

Os gestores de fundos não podem relaxar porque o jogo é disputado o ano todo. As vitórias e derrotas são revisadas a cada 3 meses por clientes e chefes que demandam resultados imediatos. Há uma regra que não está escrita em Wall Street: você nunca perde o seu emprego perdendo o dinheiro do seu cliente na IBM. Se você perder dinheiro na IBM seus clientes vão pensar "o que há de errado com a IBM?". Se você perder dinheiro numa small cap promissora, seus clientes vão pensar "o que há de errado com você?".  

Abraços,


Senhor Ministro

Contato: mininvestimento@gmail.com


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Atualização Patrimonial Março/2018 (Estréia de FII na Carteira) - R$ 238.351,48 (+ 1.282,72) e Rentabilidade (- 0,52%)



Mês de março finalizado, mais um mês vencido na conta da independência financeira. Sem mais delongas, vamos a um breve destaques do mês, em seguida para a discussão da carteira propriamente dita, esse mês tem estreia na carteira de fundos imobiliários, detalhes mais a frente...

BLOG

Esse mês a plataforma do blogger me mostrou uma novidade muito interessante em relação ao blog, mais especificamente nas estatísticas de origem do tráfego: em março, o Google foi o maior provedor de tráfego para o blog!

Geralmente as pessoas que nos visitam e nos leem são oriundas de outros blogs de finanças, mas esse mês o tráfego de pessoas vindo de fora da finansfera foi bem interessante, o que, de certa forma, demonstra o crescimento do blog, algo que me deixa bem feliz, muito embora tal crescimento não tenha significado ganhos adicionais de adsense (que continuam quase insignificantes e, de qualquer forma, não é o meu foco aqui).

CARTEIRA

Aporte do mês:

R$ 3.226,48

Movimentação de Patrimônio:

Inicialmente fiz uma movimentação de R$ 10 mil, tirando esse montante da poupança e transferindo para um CDB 100% CDI, de liquidez diária, do Banco Inter. Pretendo fazer o mesmo com mais outros R$ 10 mil ao longo do mês de abril. O motivo é que além de o CDB estar rendendo mais que a poupança, os recursos já ficam prontos para serem transferidos para a renda variável, em caso de grandes oportunidades com o período eleitoral (que acho cada vez mais difícil que isso aconteça).

Aquisições:

Esse mês o aporte foi totalmente direcionado para os fundos imobiliários, mais especificamente para uma categoria específica de fundos: fundos de recebíveis, reforcei minha posição em KNIP11 e montei posição em VRTA11, totalizando 21 cotas de cada.

Vejo o momento interessante para os fundos de recebíveis uma vez que com a Taxa Selic e a inflação em baixa, esse fundos tendem a perder a atratividade e cair de preço, de forma que estão sendo negociados muito próximo de seu valor patrimonial. Esses dois fundos em específico estão particularmente expostos à inflação, que está em patamares muito baixos agora, mas há uma expectativa de aumento para os próximos meses, o que pode retornar um bom yeld.

Em relação ao VRTA, ainda houve um certo frisson (negativo) pela saída de seus principais gestores que migraram para o Iridium (IRDM11), mas trata-se de um fundo com uma carteira já montada e consolidada, não vejo motivos para preocupação.

Carteira:



Em relação à carteira, fiz um ajuste no valor do imóvel. Eu estava considerando o saldo devedor do financiamento de forma errada. Feito o devido ajuste, o valor desse item na carteira diminuiu em cerca de R$ 1.900,00, o que, obviamente, impactou o crescimento do valor total da carteira nesse mês.

A rentabilidade da carteira foi a seguinte:



Esse foi um daqueles meses em que o dinheiro guardado debaixo do travesseiro teria sido mais vantajoso, mas sem alarde, rentabilidades negativas fazem parte da caminhada. Como se pode ver na tabela acima, os grandes vilões do mês foram as criptomoedas, com a "singela" queda de 30% e as ações que também recuaram forte, fechando com queda superior a 5%.

As carteiras de ações e FII fecharam o mês assim:



Maiores quedas do mês: MDIA3 (-14,8%), CIEL3 (-14,3%) e GRND3 (-3,8%)

Maiores altas do mês: GRLV11 (+12%), ABEV3 (+8,6%), MFII11 (+6,5%)

Detalhe que CIEL e GRND figuram entre as três piores quedas do mês pelo segundo mês consecutivo...

Por enquanto é isso!

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 22 de março de 2018

Fundos de Índice (ETF) x Ações Individuais



Esses dias estava, como de costume, navegando pela blogosfera de finanças e me deparei com o seguinte post do Vagabundo: de calças arriadas, minhas ações.

Em suma, nesse post ele abre a carteira de ações dele, mas o mais interessante é que ele fez uma comparação, dos últimos 12 meses, entre o desempenho da carteira dele, o Ibovespa, um fundo de ações (BNP Paribas) e o ETF* GOVE11.

 *Se você não sabe o que é um ETF, resumidamente é um fundo que busca espelhar determinado índice. Por exemplo, o BOVA11 é um ETF que busca espelhar o índice Bovespa, portanto ao investir no BOVA11, você estará investindo, de uma vez só, numa fração de todas as empresas que compõem o índice Bovespa.

O resultado foi em uma ponta o fundo de ações do BNP levando uma surra, e na outra ponta o GOVE11 apresentando o melhor resultado, ligeiramente acima do Ibovespa e da carteira de ações do Vagabundo.

Isso o levou a seguinte reflexão:

"o investimento em ETF teria me dado um resultado muito melhor. Sem falar na economia de tempo - não precisar acompanhar diversas ações, controlar, declarar uma por uma no IR todo ano. Esses números me surpreenderam e me fizeram pensar. Como pode um índice cheio de empresas geridas por políticos bater uma carteira de empresas escolhidas a dedo?


Assim como ele, eu também fiquei espantado com o resultado apresentado, afinal, temos trabalho estudando empresas, analisado resultados, lendo balanços, tudo para buscar empresas sólidas e de valor, que possa entregar resultados crescentes e, consequentemente, valorizar suas ações. Isso sem mencionar a chatisse que é declarar imposto de renda, etc.

Do outro lado, quem investe em ETF praticamente não tem trabalho nenhum de análise, é simplesmente confiar que aquele índice vai performar bem ao longo do tempo, seja por uma perspectiva setorial, seja por puro achismo.

Então, no fim das contas, será que investir em ETF vale mais a pena que investir em ações individuais?



Apesar do choque inicial, com um pouco mais de reflexão percebemos que o prazo de análise utilizado pelo Vagabundo foi muito curto, apenas 12 meses, para quem investe em ações de valor, os resultados costumam ser melhor mensurados no longo prazo. Além disso, o prazo analisado, últimos 12 meses, está inserido num contexto de mercado em alta, ambiente em que os ETF se saem muito bem.

Dessa forma, visando aprofundar essa análise e ter um resposta mais clara sobre o vencedor do embate ETF x Ações Individuais, resolvi fazer um estudo mais aprofundando, num prazo de 5 anos, comparando uma situação hipotética de dois investidores que aplicaram R$ 30 mil na bolsa no início de 2013 e o resultado que ele obteve até hoje, sendo que um deles investiu em ações individuais e o outro em ETFs.

De um lado, o investidor A, que optou por investir em ações individuais. Para esse investidor, vou replicar a minha carteira pessoal (da vida real!), que é 100% baseada em valor. Portanto, em 07/01/2013 o investidor A escolheu seis empresas e aplicou cerca de R$ 5 mil em cada, conforme a carteira seguinte:


Posição em Jan/2013

Já o investidor B, não querendo "se arriscar" a comprar ações individuais, resolveu investir na bolsa por meio de ETFs, escolhendo os seguintes ETFs: BOVA11, PIBB11 e SMAL11. Por que eu escolhi esses ETFs? Por que são os indicados pelo Blog do Henrique Carvalho um blogueiro de finanças mainstream (na verdade nem sei se ele ainda escreve sobre finanças) que é ferrenho defensor de ETFs frente ao investimento direto em ações. Bom, a carteira do investidor B ficou da seguinte forma:


Posição em Jan/2013
 
Avançando-se pouco mais de 5 anos no tempo, mais especificamente até o dia 19/03/2018, as carteiras do investidor A e do investidor B ficaram da seguinte forma:

Posição em Mar/2018

Posição em Mar/2018

Obs¹: as informações sobre as cotações históricas foram obtidas do site tradingview.com
Obs²: as informações sobre dividendos e JSCP foram obtidas nos sites das empresas
Obs³: na tabela os JSCP não estão descontados de imposto de renda, porém o valor seria irrelevante para o resultado da comparação

Importante destacar que o investidor em ETF não recebe dividendos e JSCP em sua conta, em tese esses valores são reinvestidos automaticamente pelo próprio ETF. No caso do investidor em ações individuais ele também pode (e deve) reinvestir os dividendos, porém no meu estudo (para facilitar) considerei que ele não o fez.

Outro ponto importante é relacionado à tributação. O ganho de capital em ETF é tributado em 15%, independente do valor, já nas ações há isenção de IR para operação de venda de até R$ 20 mil por mês.

A comparação final entre os dois investidores fica então da seguinte forma:



O investidor B, que não teve muito trabalho de análise e simplesmente enfiou seu dinheiro em três ETFs, obteve uma rentabilidade líquida de 28,3% em 5 anos e 3 meses, média de 0,4% ao mês, seguramente um desempenho pior do que obteria na renda fixa, principalmente no período analisado, em que a Taxa Selic estava nas alturas.

Já o investidor A, que se empenhou um pouco mais em escolher boas empresas e acompanhar, pelo menos trimestralmente, o seu desempenho, obteve um rendimento líquido de 124,1% no mesmo prazo, média de 1,9% ao mês. Isso porque eu não considerei que o investidor A reaplicou os dividendos recebidos, senão o retorno poderia ser ainda maior.

Conclusão

Esse não é nenhum estudo acadêmico mas acho que indica que a estratégia de gestão ativa de uma carteira de ações tem muito mais potencial de retorno, no longo prazo, em se comparando com um investimento passivo, como em ETFs.

Os ETFs tem seu propósito, principalmente para os investidores iniciantes ou para aqueles que não se sentem suficientemente seguros para comprar ações por conta própria, entretanto o esforço de estudar e escolher boas empresas compensa no bolso daqueles que o fazem.

Na minha opinião, o investimento em ações baseado em valor ainda é o método de melhor custo/benefício, pensando na variável retorno/risco, porém certamente não é um método indicado para preguiçosos e medrosos (tinha que ter uma cutucada né?).

Abraços,

Senhor Ministro

quinta-feira, 15 de março de 2018

E Se os Impostos Fossem Extintos...


Não é segredo para ninguém que aqueles que tem uma visão de mundo mais financista, como imagino que seja a maioria das pessoas que frequentam este blog, tendem a ter uma pensamento mais liberal economicamente falando, ou seja, acreditam que a economia, e tudo que ela influencia, poderia fluir melhor com menos intervenção governamental.

Apesar de reconhecer que em alguns segmentos a atuação estatal tem sua importância, e de ter plena ciência que a iniciativa privada não é nenhuma maravilha - também padecendo de problemas como ineficiência, corrupção e politicagem -, tendo a acreditar que o governo, na maioria das vezes, mais atrapalha do que ajuda.

Dai me veio a seguinte "viagem": E se os impostos fossem extintos? Zero imposto!

O pensamento inicial é achar que o mundo seria bem melhor pois os preços iam cair drasticamente e a população em geral teria acesso facilitado a bens de consumo, por exemplo, um carro que custa R$ 40.000,00 (sendo que R$ 15.000,00 são de impostos), com a extinção dos impostos passaria a custar R$ 25.000,00. Dessa forma muito mais pessoas poderiam comprar esse carro e assim a economia ia girar muito mais forte, aumentando o nível de emprego, etc. Isso aconteceria em todos os setores, impulsionando o crescimento econômico e a satisfação das pessoas.

Mas vamos enxergar por outra ótica, tomando o exemplo do carro. Supondo que o empresário vende o carro por R$ 40 mil, sendo R$ 15 mil o custo do carro, R$ 15 mil de imposto e R$ 10 mil o seu lucro. Se eliminássemos os impostos e o empresário continuasse vendendo o carro por R$ 40 mil, o seu lucro, que antes era de R$ 10 mil, passaria para R$ 25 mil.

Entretanto, como essa margem maior de lucro, a concorrência de preços certamente ficaria acirrada, de forma que esse carro passaria a surgir em "promoções" por R$ 35 mil, R$ 30 mil, ou até R$ 25 mil. Com o carro sendo vendido a R$ 25 mil, o lucro do empresário seria exatamente o mesmo de antes da extinção do imposto: R$ 10 mil.

Então, no longo prazo, não havendo cartelização do mercado, e a concorrência funcionando, haveria uma tendência de a margem de lucro do empresário retornar ao mesmo patamar de antes da extinção dos impostos.

Mas se as mercadorias ficam mais baratas, as pessoas podem comprar mais, e assim uma coisa compensa a outra, certo?



Vamos analisar isso sob uma outra ótica também:

Com a queda dos impostos, a tendência é que todos os produtos em todos os segmentos caiam de preço. Então, enquanto antes, um cidadão precisava de uma renda mensal de R$ 2 mil para ter uma vida decente, agora R$ 1 mil já são suficientes para proporcionar o mesmo padrão de vida. Os empresários logo percebem isso e pensam: se meu peão de fábrica pode ter uma vida digna ganhando R$ 1 mil, não tem sentido eu pagar R$ 2 mil pra ele, portanto vou propor redução salarial já que o custo de vida em geral caiu bastante com a extinção dos impostos.

Então vejam que nesse cenário que eu teorizei, após a extinção dos impostos, o mercado em geral tenderia a se "acomodar" à essa nova realidade, com a tendência de queda dos preços (ruim para o empresário) e queda dos salários (ruim para o trabalhador). No fim das contas, a margem de lucro do empresário tenderia a ser parecida com a que ele tinha antes da extinção dos impostos, e, igualmente, o poder de compra do trabalhador tenderia a ser semelhante à época em que havia impostos.

Não sou economista, talvez existam variáveis importantes que eu não esteja levando em consideração, mas me parece que esse seria um cenário plausível.

Estou defendendo a cobrança de impostos? De forma alguma! Só estou teorizando o quanto a economia iria, de fato, se beneficiar com uma medida extrema como a extinção de todos os impostos.

Abraços,

Senhor Ministro

terça-feira, 13 de março de 2018

Feito é Melhor que Perfeito



Há um tempo atrás, participando de uma reunião, eu indicava para os integrantes da outra ponta da mesa a urgência de tomar uma atitude para solucionar determinado problema, que já se arrastava há bastante tempo. Os interlocutores reconheceram a relevância do problema, porém relataram que não poderiam fazer nada no curto prazo, por se tratar de um tema complexo, que demandaria a participação de outras entidades, de pessoal especializado e estudos técnicos. Informaram então que qualquer atitude demandaria um prazo bem longo.

Ressaltei então que o problema já vinha se arrastando há anos, que várias pessoas já tinham pego aquele “abacaxi” mas nunca tomaram atitudes concretas para resolvê-lo. Falei então que era preciso tomar uma atitude urgente para dar um jeito naquilo, alguma solução rápida precisava ser encontrada, mesmo que não fosse a melhor e mais perfeita possível.

Foi aí que eu falei a frase que intitula esse post: “feito é melhor que perfeito”. Apesar de ser uma expressão bem conhecida, naquela reunião ninguém a conhecia, e fez até relativo sucesso.

A verdade é que, muito possivelmente, os tais “estudos técnicos” de longo prazo que estavam sendo propostos, seriam só mais uma forma de postergar a solução do problema e empurrar o pepino para outro (como já deve ter sido feito anteriormente ao longo dos anos). Ou seja, apenas um subterfúgio para evitar o enfrentamento do problema.

Todo mundo fingindo gostar da ideia enquanto pensam outras formas de postergar o problema

Apesar de esse ser um exemplo corporativo, nós, em nossas vidas pessoais, muitas vezes adotamos a mesmíssima postura:

Nós até queremos investir em ações e fundos imobiliários mas temos medo de perder o dinheiro investido ou escolher os papéis errados;

Nós até queremos iniciar um negócio, mas temos medo de colocar a cara a tapa e no fim das contas o empreendimento fracassar;

Nós até queremos malhar e ficar com o corpo sarado, mas temos medo de pagar a academia e no fim das contas nem pisarmos lá;

Nós até queremos sair de um relacionamento falido, mas temos medo de nos sentir solitários ou não achar mais ninguém interessante;

E o que a gente faz quando tem medo? Ou assumimos nossa covardia ou tentamos nos enganar. Poucos gostam de assumir sua covardia, então, ao invés disso se enganam:

Estudam empresas, se cadastram no Folhainvest, e planejam comprar milhares de ações mas nunca sequer abrem uma conta em uma corretora;

Estudam negócios, assistem conteúdo de vendas, buscam produtos, tudo para montar uma mega empresa que nunca sai do papel;

Leem sobre musculação e nutrição, os melhores alimentos, os melhores exercícios, as melhores academias, mas nunca pegam um peso sequer;

Conversa com amigo(a)s sobre seu relacionamento, participa de fóruns de relacionamento na internet, lê livros sobre o assunto, mas continua com o mesmo relacionamento falido.

Preparação, planejamento, estudo, tudo isso é muito importante, no entanto chega um ponto que o planejamento deixa de ser planejamento e passa a ser apenas uma forma de nutrir o medo, de sabotar a execução do plano.

Nada substitui uma coisa: a ação!

Mas como agir se, justamente, eu tenho medo de agir?

Para responder a essa pergunta, vou trazer uma lição do livro “Os Segredos da Mente Milionária”:
“As pessoas ricas agem apesar do medo. As pessoas de mentalidade pobre deixam-se paralisar pelo medo.”

É muito simples: a melhor forma de perder o medo de agir é dando o primeiro passo, ou seja, agindo!

Parece contraditório mas deixa eu explicar:

- Se você tem planos de alocar R$ 50 mil em ações, diversificando em pelo menos 5 setores diferentes, que tal começar comprando apenas R$ 500,00 de ações de uma única empresa?

- Se você quer lançar um negócio online super incrementado, que tal começar fazendo um Mínimo Produto Viável (MVP)?

- Se você quer perder peso e ficar sarado, que tal começar com uma caminhada de 20 minutos, duas vezes por semana?

- Se você quer melhorar ou se livrar do seu relacionamento, que tal começar chamando a parceira ou parceiro para uma conversa franca?

O primeiro passo é transformador!

Os primeiros R$ 500,00 investidos na bolsa, não são só R$ 500,00. São na verdade um grande quebrador de uma barreira invisível. Eu mesmo enrolei demais pra entrar na bolsa, por medo, medo de perder dinheiro, de não saber como fazer, de não escolher a melhor corretora, de não comprar as melhores ações.  

Comecei em julho/2017 investindo R$ 3.400,00, um tanto perdidão, até dei uma vacilada na compra de uma ação que me levou a pagar corretagem desnecessariamente, mas foi uma quebra de barreira violenta. Hoje já tenho mais de R$ 30 mil investidos na bolsa, opero o home broker da minha corretora com naturalidade e obtive rentabilidades que não podia sonhar com a poupança: de acordo com meu fechamento de fevereiro/2018, minhas ações valorizaram 15,8% em 8 meses, e meus FII valorizaram 19,6% em 7 meses, isso sem mencionar os proventos recebidos. Antes disso, havia passado anos auferindo no máximo, 8% ao ano com a poupança.

O primeiro passo transforma, o primeiro passo abre portas que pareciam intransponíveis. Provavelmente o primeiro passo não vai ser o melhor que você pode fazer, provavelmente você vai fazer alguma coisa errada, mas o que importa é quebrar a barreira, afinal, feito é melhor que perfeito!

Abraços,

Senhor Ministro

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Atualização Patrimonial Fevereiro/2018: R$ 237.068,76 (+R$ 4.848,47) e Rentabilidade (+ 0,36%)



Mais um mês na conta da corrida pela independência financeira, e diferente do mês passado, os aportes voltaram ao normal, muito embora eu tenha tido despesas relevantes com carro (Revisão de 40.000 km - a mais cara -, troca da bateria e IPVA à vista).

Esse mês sem muitos relatos a fazer. Antes de apresentar a carteira vou tecer apenas alguns comentários sobre uma experiência profissional interessante que tive:

EXPERIÊNCIA COM HOME OFFICE

Esse mês tive minha primeira experiência com home office, passei três semanas trabalhando de casa. Eu tinha receio que não fosse uma boa ideia, inclusive muita gente foge disso à todo curto, mas no geral eu achei muito positivo, tanto no aspecto pessoal, de ter mais liberdade e tempo livre, quanto no aspecto profissional, de melhorar a produtividade.

À princípio eu trabalhei só em casa mesmo, e numa vibe meio horário comercial, mas pretendo fazer experiências mais prolongadas de home office e testar trabalhar em cafés e, se der certo, tentar até trabalhar viajando. Vamos ver se dar certo...vai depender da minha adaptação ao sistema e da maturidade da instituição de aderir a esse tipo de sistema de trabalho de forma mais profunda.

CARTEIRA

Aporte: R$ 4.000,00 (dinheiro novo) + Reinvestimento de Proventos

Compras: 45 GRND3, 39 EGIE3, 13 KNIP11 e 1 FIGS11

Comprei Grendene e Engie pois continuam com bons fundamentos, apresentaram ótimos resultados anuais e estão com uma margem de segurança ainda interessante.

KNIP11 é um fundo de recebíveis da KINEA (leia-se Itaú) e comprei pensando no futuro, contando com uma eventual elevação dos juros e da inflação no médio prazo. Em relação à esse FII, há uma emissão iminente, mas será destinadas apenas a clientes Itaú Personalité (não é o meu caso). O preço da emissão vai ser algo em torno de R$ 105,00 enquanto a cotação atual no mercado é R$ 107,00. Mesmo assim, especula-se que no período da emissão o mercado secundário tende a acompanhar o preço da emissão, portanto a cotação pode cair. Sinceramente, não vejo vantagem em esperar para TALVEZ comprar o fundo com 2% ou 3% de deságio, é um caso muito diferente do MFII11 em que a emissão estava dando um deságio bem mais significativo.

Já o FIGS11 é um fundo de shopping, que ainda está em RMG (renda mínima garantida), mas que tem potencial para entregar bons proventos ao fim da renda garantida, na verdade comprei ele mesmo só pra raspar o tacho da grana que tinha na corretora.

A carteira ficou da seguinte forma:


Uma movimentação de patrimônio que devo fazer em março é transferir cerca de R$ 30 mil da poupança para um CDB de liquidez diária do Banco Inter. O principal objetivo é deixar a grana no ponto para enviar para a renda variável em caso de quedas fortes do mercado. Já estou montando minha "carteira radar" e ficarei observando eventuais oportunidades de compra que o período eleitoral pode trazer na bolsa.

As carteiras de ações e FII fecharam o mês da seguinte forma:


Destaques positivos do mês: ENGIE3 (+ 9,53%), KNRI11 (+ 3,98%) e MDIA3 (+ 3,87%)
Destaques negativos do mês: CIEL3 (- 10,46%), MFII11 (- 2,88%) e GRND3 (- 2,73%) 

A rentabilidade do mês e anual é a seguinte:



Rentabilidade bem tímida esse mês, com destaque apenas para o Bitcoin, que mês passado havia amargado uma queda de 20,3% e esse mês já subiu 21,6%. Esse mercado de criptomoedas é realmente muito louco, precisa ter nervos de aço para alocar grande parte do capital nisso.

Meu capital (excetuando-se o imóvel) ainda está principalmente aplicado em renda fixa, 76%, contra 24% em renda variável. A expectativa é que até o final do ano essa proporção atinja a igualdade, ou seja, 50/50. 

Em relação à renda extra, estou com uma pancada de milhas acumuladas na TAM e GOL, no total acho que dá umas 80 mil milhas.  Estou com a expectativa de arrecadar entre R$ 1.600,00 e R$ 2.000 com a venda dessas milhas.

Também estou trabalhando num negócio online, na verdade estou trabalhando no meu MVP - Mínimo Produto Viável, e devo iniciar os testes de mercado em março, no mais tardar abril. (Se você não sabe o que é o MVP - Mínimo Produto Viável, leia ESSE POST )

Então é isso!

Abraços,

Senhor Ministro

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Como Testar uma Ideia de Negócio Online



Atingir o primeiro milhão, a independência financeira, ou qualquer objetivo financeiro demanda, primariamente uma coisa: aportar! E para aportar é preciso sobrar dinheiro no fim do mês, coisa que fazemos de duas formas: ou cortando gastos ou aumentando as receitas.

Para os assalariados, como eu, aumentar receita não é uma tarefa tão corriqueira, pois a tendência dos salários é permanecer estável por longos períodos de tempo. A melhor forma então de dar um "up" na renda é fazendo negócios "por fora".

Mas ai surge um probleminha: se o indivíduo já vende quase o seu dia inteiro para o seu emprego formal, lhe sobra pouco do seu tempo para vender. Por isso que, nesses casos, deve-se pensar prioritariamente em negócios escaláveis, que funcionem no semi-automático, que possam crescer mesmo quando o dono estiver dormindo.

É ai que entram os negócios online: a internet é o melhor ambiente para se ter um negócio escalável, e as possibilidades são inúmeras. Por exemplo, enquanto eu estou dormindo, pode ser que alguém esteja lendo esse artigo e clique em algum banner de propaganda do site. Bingo! Ganhei uns trocados dormindo, isso é escalabilidade!

Tudo bem que a renda de adesense não é lá essas coisas, mas existem formas mais rentáveis de ganhar dinheiro na internet. Você pode revender produtos importados, pode ser um Youtuber ou Instagramer e promover o produto de outras pessoas, pode criar aplicativos, pode participar de programa de afiliados, etc.

Mas, acredito que uma das formas mais rentáveis de ganhar dinheiro online é empacotar seus conhecimentos em um produto, e vendê-lo online. Mas que produto? Pode ser um livro, um treinamento em vídeo, um fórum exclusivo para assinantes, um workshop ao vivo pelo facebook, etc.



Mas adivinha só, isso não é novidade pra ninguém. Já tem pipocando por ai produtos de todo tipo, e nos nichos mais conhecidos - ganhar dinheiro online, emagrecer, conquistar mulheres, aprender inglês - a concorrência é muito grande, e já há grandes players disputando o mercado.

Por isso, para se dar bem é preciso inovar: buscar nichos específicos e não explorados, buscar uma forma diferente de entregar o produto, buscar um diferencial de marketing, etc. Lógico que antes de qualquer coisa você deve entender do negócio, não adianta nada querer criar um curso "Como Surfar as Melhores Ondas do Mundo" se você mora no interior do Mato Grosso, nunca viu o mar e nem chegou perto de uma prancha de surf.

Ok, Senhor Ministro, eu tenho uma ideia super inovadora, mas como vou saber se ela vai funcionar? A resposta é simples: testando. Mas ai você pensa: "caramba, eu vou ter um trabalho descomunal para desenvolver esse produto mas nem tenho certeza se há pessoas, de fato, dispostas a comprá-lo".

Deixa eu contar a história do João...

João trabalha como guarda municipal e é isso que sustenta sua casa e sua família. No entanto, não dá pra dizer que João é uma pessoa totalmente realizada profissionalmente, na verdade João é um cara esotérico, um profundo estudioso de assuntos místicos, sendo esse seu hobby preferido, de vez em quando ele até faz o mapa astral de parentes e amigos. Mas a sua especialidade mesmo é a numerologia cabalística.

Precisando de um dinheiro extra, ele então decidiu tentar ganhar alguma coisa cobrando para fazer os mapas, mas logo ele pensou: "se eu conseguir alguns poucos clientes meu tempo vai ficar escasso, pois fazer os mapas demanda muito esforço". Logo ele concluiu que não era um negócio escalável. Pensando na escalabilidade do negócio ele teve uma ideia melhor: fazer um curso online ensinando a numerologia cabalística para outras pessoas, tanto para quem quer fazer seu próprio mapa, como para aqueles que querem ganhar dinheiro com isso. Perfeito! Um negócio escalável!

No entanto João tinha muito receio de dedicar meses na criação de seu curso de numerologia cabalística (escrevendo roteiro, criando apresentações, diagramando material didático, gravando vídeos, editando vídeos, etc) e, quando finalmente lançasse o produto, descobrir que simplesmente não havia mercado suficiente para absorver aquela oferta, afinal, quem mais você conhece que gosta de numerologia cabalística. João pensava que talvez fosse o único na sua cidade que gostasse daquilo, era um nicho muito específico.

Isso acorrentou João por muito tempo, ele queria criar o seu curso, mas pensava "vou ter um trabalhão e no fim das contas não vai ter ninguém para comprar". Até que, certa feita, alguém presentou João com o livro "Startup Enxuta" e ele descobriu o conceito de MVP (Minimum Viable Product).

A ideia é muito simples, antes de gastar uma enorme quantidade de tempo e de dinheiro desenvolvendo um produto sem saber se o público consumidor vai de fato absorver essa ideia, é mais eficiente criar antes um protótipo, uma versão beta do produto, um mínimo produto viável. Essa versão beta teria vários fins: validar o público alvo, conhecer melhor o público alvo, coletar questionamentos e objeções para aperfeiçoar o produto, e ainda levantar alguns fundos. A ideia é vender esse produto beta, o MVP, por um preço muito baixo, sem, contudo, deixar de entregar um produto de valor (apesar de não ser o produto "cheio").



Em se tratando de um jogo de computador é fácil imaginar isso: se tenho uma ideia ultra inovadora de um game de futebol para concorrer com FIFA e PES, eu crio uma versão beta desse game (com poucos times, poucos estádios, apenas um modo de jogo) e oferto esse jogo por R$ 9,90 para um pequeno extrato do meu público alvo (amantes de futebol e de games).

Tal atitude vai me dizer várias coisas: se meu produto tem mercado, se o meu marketing está conectando com os potenciais clientes, se o meu público alvo é de de fato meu público consumidor, se a forma de pagamento e entrega do produto é satisfatória, se o produto em si está atendendo às expectativas dos compradores, etc. Esses primeiros compradores serão minhas cobaias e eu farei questão de estar em intenso contato com eles. Já eles, por sua vez, se sentirão empolgados em fazer parte da construção de algo.

Mas o que fazer no caso do João, que quer lançar um curso online de numerologia cabalística? Bom, João tem planos de fazer um curso bem imersivo, com várias vídeo aulas, workshops ao vivo e encontros presenciais mensais. Tudo isso dá muito trabalho, então como fazer uma versão beta disso, como criar o seu MVP, mínimo produto viável?

Como João tinha facilidade para escrever, ele decidiu criar um E-Book. Não seria tão imersivo como o mega curso que ele planejava, mas já seria um produto muito bom em que ele ensinaria todos os conceitos da numerologia cabalística. Em duas semanas João escreveu o livro, fez a diagramação no Power Point mesmo, e gerou um PDF. Em seguida preparou o seu marketing. Aqui um ponto importante: o produto MVP deve ser vendido como um produto de verdade, e não como um "teste" que você está fazendo, afinal, quem vai pagar por um "teste"? O objetivo é testar o mercado, portanto o marketing deve ser robusto, e, claro, o produto, apesar de não ser o completão que você imagina, deve ser muito bom!

As possibilidades de MVP são inúmeras e nos mais variados modelos de negócio. Por exemplo,  supondo que pretendo montar um negócio de venda de camisas de rugby importadas da China. É um nicho bem específico, como fazer meu teste de mercado, meu MVP? Antes de investir na montagem de um mega site de e-commerce e importar um caminhão de camisas, por que não comprar algumas poucas camisas a pronta entrega no Brasil mesmo e revendê-las pelo Instagram/Facebook com uma margem de lucro mínima ou mesmo sem lucro nenhum?  Se as vendas derem certo, ai sim se passa a importar as camisas e montar o site.

Logicamente se o objetivo é testar e validar o produto é preciso traçar metas, um número de vendas que permita concluir que sim, há um mercado para aquele produto. Também é interessante montar alguns perfis de público alvo diferente, para testar qual é de fato o público consumidor daquele produto. É igualmente importante determinar um orçamento para a oferta desse MVP, pois não adianta queimar dinheiro em todo tipo de anúncio se o produto não funciona. E, por fim, saber abrir mão do projeto, caso seja comprovado que ele não funcione.

E ai vamos tirar as ideias do papel?

Abraços,

Senhor Ministro